Força, Felipe Massa!
Parte da imprensa é nojenta
Ainda não se sabe o real motivo do acidente, mas as equipes de busca já localizaram alguns destroços do avião próximos a ilha de Fernando de Noronha, pertencente ao estado de Pernambuco. Pela dificuldade de acesso ao local e pela demora em achar as partes do avião e até mesmo os passageiros e funcionários da Air France que estavam no voo, especialistas dizem que muito provavelmente não haverá sobreviventes.
Acredito que os seres humanos que têm escrúpulos ficaram chateados com o ocorrido, ou ao menos reagiram com espanto diante de tamanha catástrofe. Mas, infelizmente, no mundo em que vivemos há cidadãos deploráveis que não merecem o ar que respiram. Ontem fiquei sabendo por uma fonte confiabilíssima que há membros da imprensa que comemoraram o acidente pelo fato dele render notícia pelo menos para o resto da semana.
De acordo com a Air France, 12 tripulantes e 216 passageiros, dentre eles um bebê, sete crianças, 82 mulheres e 126 homens estavam no voo. Aí eu me pergunto: como alguém pode festejar a morte de tanta gente só pra vender jornal ou ganhar audiência? Pergunto, mas infelizmente sei a resposta: o ser humano fica cego diante da possibilidade de se sobressair aos outros. O sucesso torna o homem cego, cruel e mesquinho.
Nessas horas sinto vergonha de ser jornalista. Em contrapartida, fico tranqüilo pelo fato de atuar com um jornalismo mais comercial, mesmo tendo alguma ressalva quanto à parcialidade que às vezes se faz necessária, para puxar sardinha para algum anunciante da revista. Prefiro escrever um texto com tendência comercial do que ser obrigado a explorar a morte de centenas de pessoas e, ainda, conviver com gente que comemora tragédias pra vender jornal.
O dono da verdade existe, sim. O nome dele é Luxemburgo
O tal treinador pensa que é uma espécie de Deus, um ser intocável e inquestionável. Ele chega ao ponto de se achar capaz de negar a realidade, bater com a cabeça na parede contra fatos e argumentos, se expondo ao ridículo, como fez ontem após o empate no primeiro jogo do Verdão pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América, contra o fraquíssimo Nacional do Uruguai.
Quem acompanha futebol sabe que é de praxe os treinadores transferirem a responsabilidade da derrota para a arbitragem, tirando, assim, o foco de cima dos jogadores e de si próprios. No entanto, nosso bravo Luxa, constatando que o árbitro não teve influência nenhuma no péssimo resultado de 1 a 1 no jogo de ontem, tratou de achar outros culpados: a torcida do próprio Palmeiras, a imprensa e seus jogadores.
Esse cidadão que já causou a ira da torcida palestrina em 2002, quando dispensou o meio de campo inteiro da equipe e se mandou para o Cruzeiro, contribuindo muito para o rebaixamento do Palmeiras no Campeonato Brasileiro, está mexendo no vespeiro (ou seria no chiqueiro?) mais uma vez.
Deixe-me enumerar os erros grotescos do senhor melhor treinador do Brasil no jogo de ontem:
1- Jogando em casa, precisando de uma boa vitória, escalou apenas um atacante. Esquema 3-6-1, coisa de time covarde.
2- Na ala direita escalou o glorioso F. Capixaba, que não consegue dominar uma bola sequer.
3- Na metade do primeiro tempo, percebendo as falhas, tratou de fazer duas alterações. Entraram Lenny e Ortigoza, que desde o início do ano vêm jogando bem? Não, claro que não. Entraram Marquinhos, que atravessa uma fase ridícula, e Obina, que chegou ao clube há dois dias. Dá pra entender?
4- Mesmo assim o time achou um gol, quando Diego Sousa acertou um chute forte rasteiro e o goleiro uruguaio aceitou: 1 a 0 Palmeiras. O certo agora seria aproveitar a empolgação e ampliar o marcador, já que o Nacional não ameaçou o gol de Marcos em momento algum na segunda etapa, certo? Errado mais uma vez! O todo-poderoso Luxa tirou o centroavante Keirrisom e colocou o caneludo Jumar. E pra ajudar, a sorte acabou e o Nacional achou um gol também: 1 a 1 e fim de jogo.
5- Na coletiva de imprensa Luxa fez questão de, após ter defecado em campo, jogar o estrume no ventilador, proferindo um discurso nojento. Ele se eximiu de culpa, dizendo que as alterações foram corretas, falou que a torcida deveria empurrar o time e não criticar, falou que o Palmeiras não tem jogadores decisivos como Ronaldo e Nilmar, e de quebra disse que os jornalistas que criticaram sua atuação são corinthianos e, por isso, não enxergam a verdade.
Acho que o Luxa precisa consultar um oftalmologista imediatamente, porque quem não está enxergando a verdade é ele. Vou dar uma ajudinha: a verdade é que o Palmeiras só passou da primeira fase por causa de um gol espírita do Cleiton Xavier; só passou das oitavas porque nosso santo goleiro Marcos é um monstro nas disputas de pênaltis; e, agora, mais uma vez, só passará pelas quartas por um outro milagre – isso se o homem lá de cima ainda estiver disposto a dar uma forcinha.
Meu lado torcedor ainda acredita na classificação, esperando que mais um milagre aconteça. Já como jornalista, espero que o tal melhor treinador do Brasil pare de palhaçada e planeje uma tática decente e condizente com a história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Caso contrário, a Libertadores para o clube acaba no próximo dia 17, assim como o ciclo do treinador que pensa que é Deus.
Fone de ouvido é pra ser usado!
De onde saem tantas mulheres maravilhosas?
Isso é hora de emprestar dinheiro, Brasil?
Orkut: útil, mas cheio de tranqueira
Bacana! Até aí tudo bem. Eu fiz parte do Orkut no início da febre no Brasil, há alguns anos. Depois acabei enjoando e passei a achar aquilo de uma idiotice sem tamanho. Mas, no começo deste ano, um pouco mais maduro, talvez, resolvi reativar o meu perfil, em partes motivado pelo fato de ter terminado a faculdade e não poder mais encontrar alguns amigos com a mesma frequência do tempo acadêmico.
Entretanto, isso não significa que eu não implique mais com o Orkut. Ou melhor, com muitas pessoas que fazem parte dele. Tem coisas que não consigo entender, não sei se por burrice ou porque sou uma pessoa normal. Por exemplo: como alguém consegue ter 998 amigos? Se for um artista, uma pessoa famosa, tudo bem, eu compreendo. Os fãs adicionam o indivíduo como amigo e está feito: ele é o cara mais querido da net, embora não conheça a maioria daquelas pessoas que o adicionaram. Agora, como aquela garota que trata os outros por “oi miguxaaaa, ki xaudadi de voxe amoreee!” pode ter tantos amigos? Uma pessoa normal tem lá dentre os seus contatos colegas de escola e de faculdade, familiares, vizinhos, colegas de trabalho, o pessoal do inglês, do curso de informática ou das aulas do que quer que seja. Mas ninguém é amigo de quase mil ou até mesmo de 500 pessoas. É humanamente impossível.
E nessa infinidade de amizades surge a falsidade, tão inerente ao ser humano. No Orkut as pessoas sentem saudade de todo mundo. Até mesmo daquele fulano que nem lembraria o nome, não fosse o bendito site de relacionamento. Daí então, quando o sujeito deixa um recado no Orkut do “amigo”, este diz que está morrendo de saudade e que o adora de paixão. Pura lorota, cascata das bravas. Se o cara realmente estivesse com tanta saudade pegaria o telefone e ligaria ou na pior das hipóteses mandaria um e-mail.
Se eu pudesse, dos pouco mais de 100 contatos do meu Orkut, tirando uns 10 da família – que além de parentes são meus amigos – eu colocaria mais uns 10 como amigos de verdade e os outros como colegas ou conhecidos. As pessoas podem ter perdido noção do significado da palavra amizade, mas eu sei muito bem qual é. E posso garantir que não é “oi miguxa, ki vontadi de ti ver lindona”.
E o que falar dos cretinos que escrevem aSsImMmMmMmMmM??? Santa falta do que fazer, hein!? Dá até enjoo de ver. Me pergunto qual a finalidade disso. Alguém sabe explicar? Talvez algum psicólogo. Deve ser algum distúrbio fácil de ser tratado.
De resto, tirando os milhões de comunidades estúpidas sem pé nem cabeça, do tipo “eu já caí do patins” ou “eu gosto da Tia Elvira”, o Orkut pode ser muito útil. É possível fazer contatos profissionais, conversar com pessoas que moram longe ou com aquelas que por falta de tempo você acaba não encontrando normalmente, e por aí vai. Por isso, ao contrário do que pensava antes, não sou um estúpido por estar no Orkut, nem o Orkut é um site idiota. É apenas um site do qual fazem parte muitas pessoas normais como eu e uma infinidade de imbecis. Ou seja, mais um reflexo da sociedade.
Os craques de ontem eram melhores que os de hoje
Que a preparação física passou a ser fundamental no futebol não há como negar. Antigamente o jogo era muito mais cadenciado e a habilidade era algo essencial. Hoje o que predomina é a força física e a marcação no estilo carrapato. Não vejo este cenário como algo ruim e partilho da opinião de que o importante é aliar dom e força. O problema é que poucos têm o dom.
Dessa forma, uma pergunta se faz pertinente: será que não há mais espaço para os jogadores diferenciados, a fonte produtora de craques secou ou a fábrica de jogadores jogou fora as fôrmas que outrora produziram gênios? Na minha ótica a terceira opção é a mais aceitável.
Descarto a primeira porque não consigo admitir a possibilidade de que aspectos como habilidade, criatividade e dribles sejam abolidos em detrimento a velocidade, fôlego e músculos, frutos da preparação física aprimorada a cada dia. O craque, o cara que desequilibra com jogadas bonitas e inteligentes, deve ter espaço no futebol sempre.
Desconsidero também a segunda opção porque ao assistir jogadores como o ótimo Lionel Messi, do Barcelona, e o excelente Steve Gerrard, do Liverpool, dentre outros, não dá pra dizer que não há grandes jogadores atuando. Do meu ponto de vista, a fonte produtora de craques não secou, só diminuiu a qualidade dos produtos confeccionados.
E é aí que inicio a justificativa pela escolha da terceira opção como a mais plausível. Para defender esta tese me apego aos exemplos de alguns atletas que venceram o prêmio da FIFA de melhor jogador do mundo nesta e na última década.
Kaká e Cristiano Ronaldo indiscutivelmente são grandes jogadores. Para os padrões atuais, com justiça foram eleitos os melhores do mundo nos dois últimos anos. No entanto, como compará-los a Ronaldo Fenômeno ou Zinedine Zidane, premiados na década de 1990? Impossível. Seria um insulto aos ouvidos de quem acompanha futebol. Kaká e o astro português são ótimos, enquanto Ronaldo e Zidane foram gênios.
Defendo que os melhores do mundo na década passada são infinitamente superiores aos melhores do mundo da década atual, analisando o auge de cada um. Por isso, não culpo a preparação física pela queda de qualidade no futebol. Culpo, sim, os deuses do esporte que pararam de fabricar Ronaldos, Zidanes, Romários, Maradonas e Rivelinos. Isso sem citar Pelé, porque aí já seria covardia. Imagine só o Rei do Futebol, com toda sua majestade, desfrutando dos benefícios da preparação física atual...